400000000000/2000 bits[1]
Com o intenso uso dos processos digitais e interativos ainda temos a visão como sentido predominante na construção das ideias. Assim pensamos a pedagogia do olhar como disciplina estruturada e de primordial influência no desenvolvimento sensorial.
Nossos processos de criação acontecem do nada, a página em branco, às pré-visualizações digitais. Dentre seus principais instrumentos, o desenho é a ferramenta mais acessível e complexa por sua natureza representativa da produção de nossas mentes. Sua função é a de apresentar algo que lhe é exterior, saímos do universo das ideias e passamos a operar no universo das coisas.
O design como instrumento de comunicação e construtivo de nossa cultura, propicia um debate vigoroso entre o conceito do olhar e as relaçãos sensoriais, definindo o diálogo: representação visual e a criação de significados. Os fundamentos da linguagem visual elaborados na Bauhaus por um vocabulário de elementos básicos organizados em uma gramática compositiva de relações e contrastes, parte do curso básico de Johannes Itten, oferecem uma variedade expressiva de conteúdos que constituem a substância de nossa visão. Kandinsky, Albers e Klee continuaram a desenvolver esta teoria de projeto como uma linguagem baseada na abstração. Arnheim e Dondis basearam seus estudos na psicologia da Gestalt englobando ao mesmo tempo a ideia de forma e estrutura, percebemos então totalidades, fenômenos inteiros e estruturados, indissociáveis do conjunto no qual eles se inserem e sem o qual nada mais significam.
As gestalts, estas formas totais, são como imagens ricamente coloridas que emergem uma a uma sucessivamente de um fundo no qual vão imergir assim que o interesse for perdido por parte do observador. Assim podemos analisar uma obra visual sobre diversos pontos de vista. Um dos mais reveladores é a desconstrução em seus elementos constitutivos para melhor compreendê-la como um todo. Estes elementos são a matéria-prima de toda informação que chega até nossos sentidos. O exercício perceptivo contemporâneo exige a compreensão de questões específicas do ato exploratório e proporciona informações que incentivam novas possibilidades combinatórias de seus elementos preliminares: espaço, forma, luz e o próprio homem.
Entre os conceitos do início do século XX baseados na percepção e as correntes contemporâneas centradas na significação, testemunhamos novas complexibilidades nas estruturas sensoriais e a alteração das qualidades do mundo em que vivemos.
O que acontece no cérebro não é idêntico ao que acontece na retina. A excitação cerebral não se dá em pontos isolados, mas por extensão. A percepção visual da forma, como do espaço, acontece em um processo instantâneo de associação de várias sensações, construindo a visão como percepção do mundo exterior de modo global e unificado. O reconhecimento da estrutura de uma linguagem visual específica acontece através da análise de cada elemento visual em particular. A percepção da forma utiliza-se da fundamentação estética e funcional através dos elementos visuais básicos relacionando-os com elementos mais complexos que predominam em sua criação e implantação no espaço. Este processo proporciona a compreensão de qualquer manifestação visual em sua natureza interior bem como sua pré-visualização ou ainda sua interpretação e recepção. Os estudos e experimentos na Bauhaus formularam teorias acerca da percepção e memória, intelecto e linguagem, conduta exploratória e aprendizagem dentro do indivíduo e sua relação a um corpo social.
A percepção é uma experiência individual e subjetiva favorecida primeiramente pelo fator fisiológico e posteriormente articulada e transformada pelo intelecto. Em tempos globais e da predominância do fazer digital, a construção do saber parte da visão à análise, do universal às diversidades, do momento instantâneo à mediação de nossos sentidos. Assim compreendemos o mundo contemporâneo: pela vivência e aprendizado diário adquirido pelos sentidos. Ver é tomar posse, conhecer é tomá-lo como seu.
Referências bibliográficas
AUMONT, Jacques. A Imagem. Campinas: Papirus, 2003.
LUPTON, Ellen. MILLER, J. Abbott (orgs). ABC da Bauhaus. São Paulo: Cosac Naify, 2008.
NOVAES, Adauto (org.) O olhar. São Paulo, Cia. das Letras, 1998.
SANTAELLA, Lúcia. Imagem: cognição, semiótica, mídia. São Paulo: Iluminuras, 1999/05.
WURMAN, Richard Saul. Ansiedade de informação. São Paulo: Cultura Editores Associados, 1991.
[1] “Nosso cérebro recebe 400 bilhões de bits de informação por segundo. Entretanto, nossa consciência só percebe 2.000 bits/s desse total”. Joseph Dispenza, neurocientista.
As imagens são parte de nossas pesquisas sobre percepção e cognitção.
Pensar, rafear, fazer.
O Desenvolvimento de um corpo de trabalho, afininado com o projeto do contemporâneo, passa pela exploração de caminhos e campos onde a expressão pessoal possa reverberar.
As Superfícies, os espaços e os ambientes como suporte, a luz como estrutura.
Depois da exposição ‘Em Processo’, Parque Lage, Rio de Janeiro_outubro de 1995, as obras se desmaterializaram completamente. Interessou-nos mais a construção mental das imagens que sua fisicalidade.
Além dos bastonetes e cones receptores fisiológicos da luz, as imagens se formam em nosso cerébro de maneira potencial, assim uma série de experimentos tiveram importância na formação de um outro conjunto de obras centradas nas questões perceptivas. O que vemos é uma ilusão de nosso entendimento individual. A construção dos sentidos passa pela atribuição de valores que depositamos nas imagens, nas ações e nos fenômenos.
Vemos o que está diante de nossos olhos?
Assim o desfoque proposital de imagens, escolhidas por suas determinadas qualidades pictóricas, trouxe-nos a reflexão sobre um outro momento perceptivo, um mundo de intensa produção imagética. Câmeras (analógicas e digitais) scanners, celulares e vídeos tornaram-se instrumentos iniciais de produção artística. Extensões de meus pensamentos e das possibilidades criativas.
Este processo de apagamento das imagens, de carater objetivo e documental, e a transcriação em novas imagens, de carater singular e pessoal, amplia o olhar sobre os fatos técnicos e conceituais. Era preciso provocar a experiência.
Assim estas pequenas meia-esferas de nylon, que chamei individualmente de oculum, permitem-me observar as nuances da luz no ambiente, sua radiosidade nos objetos e os fenômenos luminosos mais próximos. A privação objetiva dos olhos propiciou o aguçamento dos outros sentidos, provocando outras obras em processo. Cada trabalho, neste primeiro instante, dialoga com suas referências na história da arte e, de certa forma, relacionando as qualidades de cada artista citado.
1996~1998
Este processo artístico foi apresentado no workshop “Arte em movimento” no Sesc Pompeia, setembro de 1998. Comentários positivos e instigantes de Iole de Freitas junto com observações pontuais de Carlos Fajardo e Nelson Leirner fizeram nossas pesquisas se ampliarem. A História da arte era apenas um espaço de desdobramentos(…).
1999~2003
Em uma segunda etapa os objetos de estudo – luz, formas, cores e intensidades – dialogam com estruturas de meu pensamento na arte e na comunicação.
A tecnologia e a comunicação alcançou a arte, novamente; entre 1998 e 2000 o computador aproxima os meios de criacão analógico tornando os efeitos e filtros digitais lugar-comum da produção de imagens na publicidade e no design, a arte encontra diversas instancias de congruência de conceitos e soluções. As particularidades do fazer artístico aprofunda as questões do pensamento globalizante. Deslocamentos da linguagem e conceitos intensamente pessoais delineam obras de arte que se misturam a ações de ordem íntima, a experiência do vida pessoal, cotidianamente prosaica.
2003~2007
As obras assumem o diálogo entre imagem, texto e significados, resgatados das obras de anos anteriores, 1991~1995, fazendo evoluir o discurso na direção de observações visuais sobre acontecimentos pessoais.
e as obras em processo…

























